É muito comum, no consultório, ouvir a seguinte queixa: “Dra., já fiz de tudo para emagrecer. Não como quase nada, pratico exercícios e, mesmo assim, meu peso só aumenta.”

Se você já pensou isso, saiba que não está sozinho.

E mais importante: isso não significa, necessariamente, que você esteja fazendo tudo errado ou doente.

Em muitos casos, o que está acontecendo é uma adaptação do próprio organismo.


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Para entender melhor: quando você entra em dieta, especialmente dietas mais restritivas, o seu corpo entende que está em um momento de escassez. Em um primeiro momento, o peso pode até diminuir. Mas, com o tempo, o organismo responde reduzindo o gasto energético, aumentando a fome e diminuindo a saciedade, o que acaba se tornando um prato cheio para o famoso efeito sanfona. Esse processo é conhecido como adaptação metabólica e faz parte da nossa fisiologia.

Imagina o seguinte cenário: você vivendo há séculos atrás, em um período em que não existia acesso fácil a alimentos. A agricultura ainda era limitada, não havia tecnologia, e a comida dependia do clima, das estações e de colheitas incertas. Você poderia passar por períodos de abundância, mas também por longos períodos de escassez. E existia sempre uma dúvida: quando vou conseguir me alimentar de forma regular novamente? Nesse contexto, perder peso de forma rápida não era algo positivo. Pelo contrário, significava consumir uma reserva energética essencial para a sua sobrevivência.

Do ponto de vista evolutivo, o corpo foi programado para lidar com esse tipo de situação. Nossos ancestrais não sabiam quando seria a próxima refeição, então economizar energia era fundamental. O problema é que esse mesmo mecanismo continua ativo hoje, mesmo em um cenário completamente diferente, em que há abundância de alimentos incluindo alimentos de alta densidade calórica e potencial inflamatório (mas isso vamos aprofundar em outro post, tá?). Por isso, o emagrecimento não pode ser entendido apenas como uma conta simples entre calorias consumidas e calorias gastas.

O corpo não utiliza apenas gordura como fonte de energia. Dependendo do contexto, ele pode utilizar a glicose e até proteínas, com consequente perda da massa muscular. E isso faz diferença, porque perder músculo reduz o gasto energético do corpo e dificulta tanto a perda de peso quanto a manutenção dos resultados ao longo do tempo.

O músculo, aliás, é uma peça central nesse processo. Em dietas restritivas, especialmente sem acompanhamento adequado, é comum ocorrer perda de quantidade E qualidade de massa muscular. Com menos músculo, o metabolismo se torna mais lento e o corpo passa a gastar menos energia no dia a dia. Por isso o exercício físico vai muito além do mero objetivo de queimar calorias. Ele ajuda a preservar e aumentar a massa muscular, melhora a sensibilidade à insulina e contribui para tornar o metabolismo mais eficiente.

A regulação hormonal também exerce influência direta nesse contexto. O aumento do cortisol, comum em situações de estresse e privação de sono, pode impactar o apetite, a disposição e o acúmulo de gordura. Já a insulina, quando há resistência à sua ação, dificulta o uso da gordura como fonte de energia.

O sono é outro fator fundamental. Dormir mal altera hormônios relacionados à fome e saciedade, aumenta o cansaço e prejudica a regulação metabólica. Na prática, isso pode dificultar o emagrecimento mesmo quando a alimentação está adequada.

A saúde intestinal também tem papel importante. Alterações na microbiota ou estrutura intestinal podem influenciar a forma como se absorve nutrientes, inflamação, metabolismo e comportamento alimentar, contribuindo para maior dificuldade em perder peso.

Ou seja, quando falamos de dificuldade para emagrecer ou efeito sanfona, não estamos falando apenas de força de vontade ou de dieta. Estamos falando de um organismo complexo, que se adapta, se protege e responde a múltiplos fatores ao mesmo tempo.

Se você sente que está fazendo tudo certo e mesmo assim não vê resultado, pode ser que o problema não esteja no seu esforço, mas na forma como o seu corpo está respondendo a ele e é justamente por isso que, em muitos casos, o tratamento precisa ser individualizado e baseado na sua realidade.

Se você quiser entender melhor o que pode estar acontecendo no seu caso, o acompanhamento médico pode ser um ponto de virada nesse processo e eu terei o maior prazer de te acompanhar!

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Até breve,
Dra. Carol 🌿

@dra.carolinacantarelli